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[33001]
Mendes, Aida Maria de Oliveira Cruz - Stress em estudantes de enfermagem e imunidade : contribuição para o estudo dos factores pessoais nas alterações imunitárias relacionadas com o stress.. Braga : [s.n.], 2000. 171, [27] fls.. Os alunos que frequentam o ensino de enfermagem são jovens e saudáveis. Como resultado da observação empírica no exercício da actividade docente, é com alguma inquietude que constatamos a existência de pontuais mas significativas alterações da condição de saúde dos alunos. Se algumas dessas situações se podem perceber por uma grande proximidade entre pares proporcionada por turmas bastante grandes, como as do foro respiratório, outras, como alterações significativas de peso, os pedidos de ajuda psicológica ou mesmo uma fractura por stress, isto é, sem antecedente traumático, não encontram uma justificação simples. Desta percepção subjectiva resultou o estímulo para pensar o trabalho que agora se apresenta. As questões: as alterações verificadas nas condições de saúde dos alunos de enfermagem poderão ser explicadas por situações de stress relacionadas com o curso?; e, se sim, como é que essa influência negativa na sua saúde se processa?; quais as características dos indivíduos que podem ser protectoras e quais aquelas que podem ser potenciadoras dessa mesma influência negativa na sua saúde? – serviram como ponto de partida. Para a formulação destas questões contribuíram, sem dúvida, algumas preocupações resultantes de reflexões não sistematizadas acerca do ensino de enfermagem. A forma de organização actual de acesso ao ensino superior cria condições de grande competitividade. Para poder entrar num curso do seu agrado muitos alunos realizam um esforço muito grande, que por vezes se inicia no 10º. Ano de escolaridade e culmina com os exames do 12º. Ano. Nalguns casos o acesso disputa-se às centésimas. Os cursos das áreas da saúde são aqueles que exigem médias de acesso mais elevadas. Nesta área vocacional, o curso de medicina é aquele que impõe uma nota de acesso mais alta. Para o curso de enfermagem, e apesar de ter vindo a aumentar todos os anos o número de vagas, a média de acesso tem permanecido bastante exigente. Nestas condições, os estudantes, quando iniciam o curso de enfermagem, fazem-no após um ano particularmente desgastante. O início do curso é acompanhado para muitos de uma saída do seu meio social habitual e do começo de novas responsabilidades. O aumento de complexidade dos conteúdos e a incerteza sobre a adesão a um modelo profissional que se avizinha num futuro próximo constituem, sem dúvida, alguns dos factores que podem contribuir para uma necessidade de mobilização de mais recursos adaptativos. Historicamente, o modelo de abordagem do Homem, da saúde e da doença em enfermagem é holístico. Assim, o ensino de enfermagem assenta tanto nas ciências biológicas, como nas ciências sociais. A menor preparação dos estudantes nestas áreas de ciências sociais, uma vez que não são disciplinas específicas para o curso no ensino secundário, e eventualmente uma construção do papel do enfermeiro mais vocacionado para as funções curativas em detrimento das funções “de cuidar” de enfermagem, podem ser factores adicionais de alguma tensão. Igualmente o contacto precoce com o hospital, a doença e os doentes, e o esforço que tal situação exige, não só de mobilização de conhecimentos teórico-práticos específicos relacionados com a situação clínica das pessoas a quem vão prestar cuidados, mas mais ainda devido aos problemas éticos, e comunicacionais que tais situações impõem, são propiciadores de momentos de grande tensão. A organização do currículo escolar tenta frequentemente contemplar cada semestre de aprendizagem com um período teórico e teórico-prático e um período de aprendizagem clínica em ambiente hospitalar ou noutro tipo de unidade assistencial. O número de disciplinas por semestre é habitualmente elevado. Destas duas condições resultam horários escolares sobrecarregados e planos de avaliação pesados. Os momentos de avaliação na aprendizagem escolar constituem situações que a generalidade dos indivíduos classifica como sendo de stress. Muitos estudos realizados nesta área relacionam-no com o desempenho e o desenvolvimento escolar (Cruz, 1988). Outros, têm procurado identificar os factores que de uma forma directa ou indirecta podem contribuir para a grandeza do stress sentido (Ferreira, 1993). Em certa medida, essa tensão gerada é propiciadora de maior eficácia da resposta. No entanto, quando é excessiva, são múltiplos os efeitos negativos que daí podem decorrer. Alguns desses efeitos podem ter repercussões na saúde, tanto física como psicológica. No trabalho actual procuramos identificar a importância relativa de cada uma destas situações (ou de outras) e compreender como podem influenciar a saúde dos alunos. Situamo-nos no paradigma conceptual do stress como modelo transacional (Lazarus, 1984), seleccionamos duas variáveis pessoais – estratégias de coping e locus de controlo – que podem constituir factores explicativos para as alterações encontradas. Para avaliar as respostas imunológicas, resultantes do stress dos estudantes, foi seleccionado um conjunto de indicadores fisiológicos e biológicos específicos. Ao mesmo tempo foi avaliada a sintomatologia depressiva e pedida uma apreciação subjectiva do estado de saúde no período classificado como sendo de stress. Atendendo ao carácter holístico da formação em enfermagem, a psiconeuroimunologia tem proporcionado aos investigadores de enfermagem uma estrutura de abordagem nas suas investigações acerca das relações entre fenómenos comportamentais e biológicos e as suas influências na saúde (Zeller, 1996). Foi, pois, com base nos conhecimentos desenvolvidos nesta área de investigação que concebemos o nosso plano metodológico. Assim, realizamos numa primeira fase um estudo exploratório cujo objectivo principal foi o de identificar quais os momentos que os alunos de enfermagem referiam como sendo os mais stressantes. Identificados estes, seleccionamos um, o período de avaliações do 1º. Semestre do 1º. Ano. Tendo em conta este período, fomos estudar as relações entre stress, estratégias de lidar com o stress e locus de controlo e a imunidade. O estudo realizado foi de tipo quasi-experimental. Procedeu-se a um ensaio a uma replicação no ano lectivo seguinte. A apresentação da dissertação está dividida em duas partes fundamentais. Na primeira parte, apresenta-se o enquadramento teórico em que esta investigação pode ser integrada. Compreende três capítulos. O stress mostrou ser um tema fecundo de investigação e divulgação científica e popular. Assim, procuramos no primeiro capítulo fazer uma síntese das várias abordagens do stress ao longo dos últimos anos, clarificando a forma como, nesta investigação, foi conceptualizado. O segundo capítulo descreve o sistema imunológico de uma forma geral. Por último, o terceiro capítulo expõe as relações entre o stress, o sistema imunológico e a saúde. Numa segunda parte apresentamos o estudo realizado. Após a exposição das hipóteses de investigação formuladas, começamos por descrever de forma mais detalhada a concepção metodológica e as opções tomadas nesta matéria. O segundo capítulo apresenta os resultados do estudo exploratório, que permite compreender algumas das opções tomadas na concepção metodológica. A apresentação dos resultados, terceiro capítulo, dividida nos dois ensaios, expõe os dados recolhidos através dos instrumentos de avaliação seleccionados e os resultados do estudo inferencial realizado. No quarto capítulo desenvolve-se a respectiva discussão. Conclui-se com uma sistematização dos resultados mais relevantes, uma reflexão acerca das limitações do estudo realizado, as indicações que, pensamos, se podem retirar para a prática e sugestões no sentido da continuação da investigação e acção neste domínio.
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